Como já disse antes no blog, sou estudante de Multimídia para Jogos Digitais na UNESA, a única faculdade que oferecia um curso do gênero no Rio de Janeiro (na época). Assim sendo me inscrevi na primeira turma e, mesmo não estando totalmente satisfeito com o curso (já não bastasse o conteúdo teórico nesta área ser demasiadamente flexível e instável, ter de lutar contra uma acadêmia retrógrada é fogo), fiquei até o final, me aprofundando autodidaticamente naquilo que me interessava mais.
Agora, em vias de me formar, tenho de apresentar um trabalho final. Como já vinha desenvolvendo um “cenário de campanha” a milanos, resolvi tentar e consegui convencer alguns dos outros alunos a levar este rumo a sua efetivação como Game (ou ao menos como projeto de um). Como o objetivo deste blog é também tentar ilustrar as peripécias no processo de design de jogos, e como não tenho tido tempo de atualizá-lo sempre, percebi que a melhor maneira de se juntar o útil do agradável seria compartilhar o processo com vocês.
Portanto, prazer, esse é Eroica (não tem H e nem T antes do I), meu projeto mais antigo, ambicioso e cabuloso, que eu amo inenarravelmente e razão pela qual eu trabalho na minha formação com tanto empenho. Nesta coluna irei explorar cada etapa do projeto, dando início pelo processo de Design de Personagens, suas complicações e atalhos reconhecidos. Ainda virão outros artigos sobre design de cenários, roteiro, storyboard, Game Play, história, interfaces, referências, modelos 3D, trilha sonora e outros que por ventura considere ‘disponibilizáveis’. Portanto sem mais delongas, vâmo que vâmo.
Primeira uma explicação cabível, já que a história em si só será apresentada no quarto ou quinto artigo: a ambientação de Eroica é feito em torno do gênero fantástico Steampunk. Esta abordagem porém não seguirá o padrão das releituras ocidentais do gênero, que tendem aos über-homens e suas máquinas extraordinárias, mas sim irá caminhar na direção das produções do Estúdio Ghibli, que prezam mais pela sofisticação da narrativa e humanidade dos personagens.
Para algo assim complexo ser possível primeiramente deveria ser instaurada uma fase exclusiva para se pesquisar referências. Contudo, como o projeto é antigo e já foi utilizada em várias outras matérias, essa fase já se encontrava quase toda definida. Precisei apenas refinar e reorganizar o material juntado até então.
Como fonte de material atual, o deviantart foi essencial, com suas várias interpretações e visões. Também, além de personagens tradicionais de Steampunk ocidental como nos encontrados nos cenários de RPG Reinos de Ferro e Castelo Faukenstein, encontrei séries de referências nos RPGs de consoles, principalmente os japoneses, como toda a série Final Fantasy. Ainda pude recolher boas idéias em animes, como em Last Exile, Steamboy, Full Metal Alchemisty e a maioria dos trabalhos do diretor Hayao Miyazaki. Devo muito a alguns livros comprados, como os anuários Spectrum, que me apresentaram um preview de várias soluções que começava a imaginar e ainda muito ao trabalho encontrado em algumas referências clássicas, como nas obras do artista Alphonse Mucha e no Construtivismo russo, que me instrumentaram com uma visão artística próxima a da época em questão. Para tentar criar enfim um perfil próprio, fugindo do padrão, fui buscar referências mais modernas, passando por tendências como rock indie e chegando as modas urbanas de Tokyo.
Toda esta mistureba inusitada rendeu as dezenas de texturas peculiares, penteados, acessórios e adereços que procurava, além de ter me inspirado em dezenas de possíveis personalidades e eventos.
Essas referências todas estão organizadas, acumuladas ou devidamente alojadas na minha estante, como sugeri que um Diretor de Arte o fizesse. Assim sendo pude, aos poucos, imergir os artistas que se candidataram a criar em Eroica com bastante facilidade. A cada desenho percebia que eles iam entendendo um pouco mais do que queria propor, ajudando até mesmo para que eu entendesse os conceitos mais a fundo e as possibilidades cabíveis. Obviamente cada um deles tem um traço distinto, suas especialidades e outras coisas para fazer, portanto Eroica não está nem sequer próxima de atingir sua fase madura. Mas caminha, lentamente, na direção dela.
Todos esses esboços foram feitos de maneira colaborativa por artistas que se voluntariaram a tal. A partir deste conjunto de premissas que apresentei, somado aos trabalhos juntados na pesquisa de referências, puderam recriar, a sua visão, o que haviam captado do cenário. Esta etapa serviu e ainda serve como um teste, para criar as primeiras imagens do cenário e estudar o quão convincente e ‘entendível’ ele é. É a etapa mais complexa e talvez a mais importante do processo artístico todo, pois funciona como o embrião de todo o resto.
Até então todos os artistas envolvidos (inclusive eu) tiveram uma limitação crítica quando a colorir e texturizar os desenhos, portanto quase nada foi experimentado nesse aspecto, apesar de todas as pesquisas estarem prontas.
Vale enfim citar que esta etapa também foi essencial e base para se iniciar a construção dos desenhos técnicos, que virão a ser usados na modelagem de personagens e na construção dos possíveis sprites do jogo. Esses, como irão reparar, são bastante mais simples e limpos, são feitos presando a quantidade e tem como papel principal serem úteis para o resto da equipe.
Desenho Técnico :: Sample
:: Estudo de Caso ::
No nosso caso, cada um destes personagens é concluído em três folhas: uma para a visão geral dele, de preferência em alguma pose que tenha a ver com sua personalidade; uma para 3 expressões chaves (futuramente usadas para criar ‘pontos chaves’ para suas expressões em 3D); e um model sheet, de frente, de lado, de costas e com o braço separado (para o modelador ter uma visão completa do modelo original).
Para a personagem aqui estudada, foram selecionadas várias faces de mulheres que expressassem aproximadamente o tipo de personalidade almejada.
Tendo selecionado uma série (mais ou menos 20) de modelos, começamos a especular o formato do rosto, corte de cabelo e expressões chaves. Minhas habilidades como desenhista não são extraordinárias, mas, lado a lado do desenhista, foi bastante útil pegar no lápis e experimentar esboçar as idéias por rabiscos em vez de palavras. Não ter vergonha de um traço limitado é bastante essencial, facilita a vida de todo mundo!
Tendo enfim definido esta etapa, partimos para a roupa. Procurei em algumas fotos de revistas, em alguns sites e passei a reparar no que as meninas andavam usando. Bati o olho em uma menina então, com um vestido desses (no caso era menor e ela usava uma calça por baixo), e, como já havia reparado que isso era uma tendência aparecendo em mais de uma mídia, resolvi, a partir dele, criar o primeiro esboço da idéia, ali no metro mesmo.
Pouco depois de tê-la finalizado, e com a ajuda de um outro aluno que reconheceu a personagem, percebi que uma das minhas referências (o anime Lain) havia me influenciado demais, e havia nascido uma personagem parecida demais com outra já existente.
Resolvi então cortar-lhe os cabelos fora, a contragosto do Fred, que havia gostado da personagem daquele jeito. Ossos do ofício dude. No final das contas esta personagens, como ficou resolvida, nos deixou satisfeitos e resolvemos passar para o próximo.
Muito possivelmente uma série de mudanças irá vir com o desenvolver do projeto. Muitos dos personagens que foram desenhados agora ainda irão sofrer modificações para se adequar ao contexto que ainda está sendo desenvolvido. É uma etapa complicada e frustrante, pois qualquer novo acerto, seja na história, no contexto, ou seja lá onde for, pode tornar um personagem completamente inadequado.
Então a dica para fechar o artigo: Sejam poucos detalhistas e precisos nesta parte, dêem preferência para a quantidade e a flexibilidade dos trabalhos. Não se preocupem com o traço, ou a beleza das obras, mas sim com a capacidade informativa delas e o quão os trabalhos satisfazem suas aspirações iniciais. O perfeccionista vai nascer de como você estiver disposto a rearrumar a bagunça a cada nova descoberta feita.
Projeto bem legal, vou querer dar uma boa olhada nele depois de pronto…
Ahn, se quiser uma ajuda com a trilha sonora, eu me candidato! Tenho experiência em compôr trilhas para curtas, podemos conversar a respeito…
Abraços!
Muito bom, parabéns!
caracolis cara! para de trabalhar que você vai pirar
hehehehe
=]
mas sim, o projeto ta indo muito bem eu acho
gostei de tudo
menos alguns personagens feitos nas coxas
¬¬
hahahahahahhaha
é não cara
isso já foi revisado, e pow vai ficar muito punk
steampunk, enfim
tamos aew pro storyboard esper
se cuida cara e continua assim
Eu to com um game na cabeça, mas me falta o tempo para pesquisas e por tudo organizado no papel (leia-se doc).
Sei que é um caminho sem volta, se eu começar vou até o fim… seja lá qual for!
Boa sorte no trabalho de conclusão Esper, espero jogar Eroica ainda! :)
PS: Não sei se você viu mas tem um cara fazendo um remake de Metroid 2 e ele tá blogando o andamento do jogo. É interessante ver assim as etapas de construção e tal!
Caso interesse, postei sobre o remake em http://www.retrobits.com.br/site/2008/03/21/remake-de-metroid-2-return-of-samus-independente-e-jogavel/
Grande abraço!
Congractulations!!!
Perfect!!!!
Olá, Esper.
Tô no intervalo do curso e só agora pude ler com calma e por inteiro um dos posts do CybeRarts.
Fico realmente impressionado com a sua capacidade de expressão e com toda a desenvoltura com que você trata do assunto em questão, de forma bem objetiva e enfática.
Enfim, não sabia desse seu projeto de game. Eroica me parece bem interessante, principalmente por causa da mescla de estilos, contextos históricos e ideologias que você apresentou ali. Do steampunk, passando por aspectos visuais da era victoriana, a moda urbana japonesa. Tudo me pareceu bem versátil e rico.
Na realidade, eu só não consegui entender o que você quis dizer com o nome “Eroica”.
Concordo com você quando o assunto é dedicar-se a formação dos personagens, aprimoramento das características físicas e psicológicas que o formam e, conseqüentemente, formam o contexto.
Um grande abraço, parabéns pelo blog! :D
[...] e as tendências artísticas” nos games. O mais interessante é um post com o character design de alguns personagens de um projeto de jogo e com isso o blog mostrará todo o processo de desenvolvimento. Vale a pena [...]
Parou de postar? :(
Volta volta!! Esperamos notícias do seu trabalho. =]
Ola bom dia!!
meu nome e elton e eu curso o 7 periodo de design grafico na univale governador valadares e o meu projeto final vai ser sobre um game tambem,estamos fazendo tudo desde historia,character design e etc.
espero que podemos nos comunicar para troca de informaçoes sobre bibliografica,citaçoes esssas coisas
abraçoo!!!!
e tenha um bom dia!
Se ainda precisar de ajuda com o Concept design me voluntário a ajudá-lo. Apenas me mande um email dizendo do que precisa.
Outro jogo que pode servir de referência é o Arkanum. Tente dar uma procurada nele.
Abraços
kara mto legal mesmo…
tenho 14 anos e tambem curto desenhar mas…não sei q área seguir(ilustraçõ,design gráfico…)vc pode me indicar um curso p/ criação de personagens p/ o mercado editoral sem ser hq?
Olá!!!
Sua postagem é um pouco antiga, mas achei seu projeto muito interessante então resolvi escrever mesmo assim. Eu curso design de moda e me interesso muito pela moda japonesa/oriental. Vi que vc estava com dúvida em relação as personagens… Se quiser trocar uma idéia me mande um e-mail.
Rodrigo,
O GameBase já está no ar e você é nosso convidado formal para ajudar o desenvolvimento do site.
Sobre o post em si, estou bastante interessado, já que também estou estudando o mesmo assunto e trabalhando na area das mais diversas maneiras possíveis. Meu email você já sabe, vamos trocar figuirinhas?