Professor Layton and The Curious Village
Fevereiro 27, 2008 de esper000
Inovação. É a palavra chave que rege o nosso criativo, mutável e instável mercado de Games. Inovação de conteúdo, gráficos, jogabilidade, processos, física, iluminação, roteiro ou seja lá qual for a classe dela. Se não conta com qualquer inovação em seu currículo, um jogo não alcança críticas positivas, não gera uma comunidade de fanboys, não ganha destaque na imprensa e, consequentemente, não vende.
Como a proposta neste blog é falar dos vários processos artísticos que envolvem o desenvolvimento de um jogo, é conveniente que estudemos os casos de lançamentos como estes: Professor Layton and The Curious Village (Nintendo DS) e Odin Sphere (Playstation 2), que estão entre os mais aclamados do ano de 2007 justamente por terem inovado em vários aspectos distintos!
Primeiro, um jogo de puzzle não é do tipo que faz sucesso espontâneo e rápido, nem mesmo quando é feito para portáteis. Além disso os jogos point & click estavam até então basicamente extintos, largados em uma época remota, contrários as normas teóricas da indústria, que indicam que a interatividade deve estar presente sempre que possível.
Mas não é só por ter ido contra as tendências que Professor Layton and The Curious Village é uma boa surpresa. As peculiaridades do jogo são realmente muitíssimo destacáveis comparadas com o que é visto nas atuais produções para videogame, seja pelo estilo de traço escolhido, uma mistura do charme Ghibli de ser com o carismático francês Tintin (todos apelativos tanto para ocidente e oriente), o character design criado em cima do charme ainda forte do começo do século XX , a história de detetive, os muito bem executados e surpreendentemente divertidos puzzles, a dublagem com aquele apelo britânico, a ótima palheta de cores, o clima de suspense de toda a cidade, o bom uso da interface do DS… São realmente muitas soluções positivas para destrincharmos todas, então vamos a algumas!
Neste jogo você comanda um professor com jeitão de investigador e seu jovem assistente, ambos viciados em resolver quebra cabeças. São chamados então, por uma elegante donzela, para resolver um mistério em uma cidade curiosa, digamos assim. Nela vocês se envolvem com todo tipo de gente inusitada, todos beirando a loucura no vicio pelos joguetes. Prestando uma série de serviços inusitados para os moradores, os dois começam a resolver vários mistérios locais, se envolvendo cada vez mais em perigos inesperados.
Logo de cara você já se pega cativado, os vídeos de abertura são muito bonitos, a animação extremamente agradável de se ver, mesmo na pequena e de baixa resolução tela do DS. A preocupação em se criar bons textos, dicas e ilustrações fofas para cada um dos puzzles, faz ainda mais agradável o tempo que você perde quebrando a cabeça para resolvê-los. O fato de você ganhar uma moeda de troca para cada um destes, além de itens para outras partes do jogo, faz dele ainda mais suscetível de se jogar por bastante tempo, causando a sensação de estar em uma campanha, não jogando uma série de jogos casuais.
Além disso apresenta uma solução muito boa de interfaces, bastante intuitiva e rica em informações. Os menus, botões, telas, os backgrounds, o mini-game do hotel, do quadro, do cachorro, tudo é executado claramente com muito carinho, minimalista em seus acertos. Um lançamento realmente revolucionário por todo esse detalhismo prestado a um jogo casual.
Apesar de todas estas ótimas soluções não é apelativo por muito tempo para todo tipo de público. Alguns podem se cansar de apenas ter de solucionar quebra cabeças para dar continuidade na história, outros podem simplesmente se cansar da falta de emoções nas primeiras horas do jogo, além, obviamente, de nem todos serem fãs do modelo point e click (principalmente aqueles que não foram doutrinados pela Lucas Arts na infância).
Conclusão. Professor Layton and The Curious Village é um jogo que definitivamente deve ser experimentado, mesmo que por alto, por todos aqueles que aspiram a carreira de Game Designer, principalmente os que são fãs das soluções artísticas apresentadas por essa leva de jogos de portáteis que estão revivendo a criatividade e inovação para se adequar ao ‘novo público’. Aqueles que não tiverem saco de ir até o final não precisam se culpar, você pode sim ir jogando aos poucos. Um dia casualmente você chega lá, pense nisso como um ‘exercite o seu cérebro um pouquinho a cada noite, enquanto salva uma cidade’.
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