
É o título do novo jogo da linha Advance Wars. Esta é uma das séries mais interessantes dessa nova leva de jogos de estratégia do Nintendo DS. Nomes como Final Fantasy e a série Mana já tem lançamentos do modelo, mas seguem um padrão real time e são mais próximos dos SPRGs do que dos turn-based tactics. Nomes e categorias demais? Concordo. Mas não há o que fazer, categorias são necessárias e ajudam no final das contas.
Mas porque Advance Wars merece um post inteiro especificamente então? Primeiramente porque eu já falei mal demais da Square aqui no Blog, para acabar fazendo mais um review medíocre. Depois porque a série, além de boa pra cacete, resolveu mexer no time enquanto estava ganhando. Arriscou fazer mudanças colossais na cara do jogo, indo contra a tendência e adaptando a séria para um contexto muitas vezes mais sério.
Primeiro é interessante apresentar a cara antiga:
Advance Wars I (Game Boy Advanced)
O primeiros jogo tem a cara do portátil da Nintendo. Muitas cores plásticas, personagens extremamente superficiais, modelos icônicos super deformados e uma história de guerra de brincadeirinha. Não, isso não é uma crítica fanboys, é só uma constatação. O apelo do jogo está totalmente na jogabilidade. Uma divertidíssima e quase inovadora série (só sendo totalmente semelhante a Fire Emblem de Snes, mas mais rápida e com certos defeitos corrigidos).
Advance Wars – Dual Strike (Nintendo DS)
*errata: na verdade este é o terceiro jogo da sério, esqueci do segundo jogo de GBA, obrigado Marco por ter me corrigido sobre os defeitos bobos nesta resenha! Basicamente Dual Strike expande as melhorias feitas e a essência desta segunda versão.
O terceiro jogo da série traz uma série de melhoras, se comparado ao primeiro. Alguns personagens são mais, digamos assim, humanos e tem motivações interessantes, além dos veículos que ficaram todos mais reais. Os gráficos todos, entre interfaces, animações e cores, deram um upgrade considerável com a troca de plataforma, melhorando assim o que já era suficientemente agradável. A jogabilidade aqui ganhou várias peculiaridades e padrões interessantes, com vários personagens jogáveis com vantagens e especiais próprios.

Demais a coisa toda ainda é pouco profunda, uma guerra dessas de video-game, malvados vs bonzinhos. Porém, definitivamente, com uma dose de carisma renovada.
Daí, quando anunciam o quarto jogo da série, esperamos uma certa continuidade no padrão. Não esperamos personagens totalmente cretinos e complexos, nem um cenário pós apocalíptico, com doenças e meteoros levando as pessoas a loucura e armadas lutando guerras sem sentido por força da vontade de matar por matar. Não esperamos cores cinzentas e nem um roteiro pessimista, nada como pessoas desesperadas por causa de fome, ou traições inescrupulosas. Óbvio que ninguém ia esperar algo assim.
Advance Wars – Days of Ruin (Nintendo DS)
O jogo começa com o mundo sendo atingido por meteoros e boa parte da população mundial morrendo. Logo em seguida entra uma tela do protagonista, nos escombros da sua antiga faculdade militar: o único sobrevivente perdido. É então atacado por um sujeito intitulado Beast, um ex-militar que viu na destruição uma oportunidade para libertar seus instintos assassinos. Logo em seguida o nosso protagonista Will ‘eu só quero fazer o bem as pessoas’ é salvo pelo seu futuro patrono, o Capitão Brenner ’sou fodão e nunca perderei a honra’.
Ok, esteriótipos a parte, os personagens são realmente muito bons, principalmente os coadjuvantes, com diálogos bem reais e convincentes, motivações sensatas e reações condizentes. Um trabalho muito bem feito, uma preocupação realmente rara nos jogos atuais, principalmente os voltados para as plataformas da Nintendo. Personagens como um doutor meio insano que aparece pouco depois, com dilemas bastante interessantes e piadas de humor negro, são extremamente raros e fazem falta.

Os gráficos também acompanharam esta mudança brusca, desde a interface até os gráficos de batalhas, todos ganharam camadas e camadas de sobriedade. Destaque para esse motion blur nos veículos: uma impressão de movimento sempre presente para telas estáticas. Vale falar também das músicas, que são MUITO boas! Tem uma batida puxada para o rock, com elementos meio clássicos no meio, tem até mesmo uma pegada eletrônica, enfim, uma mistureba do caralho! Me peguei batendo cabeça com BGM. Isso é realmente algo novo pra mim.
O jogo em si, porém, não passou por reformas significativas: é o mesmo jogo de estratégia, porém com algumas modificações na sua estrutura. Modificações estas que, infelizmente, o tornaram menos divertido para mim. Uma das maiores perdas foram os ganhos que podiam ser convertidos em compras. Sem estes fica a impressão que este é um jogo casual, não uma ‘campanha que irá se reverter em glórias’, ou algo do gênero. Fica difícil de explicar, mas a sensação de ganhar pontos ou uma avaliação específica, não chega nem perto da satisfação de ganhar dinheiro para gastar em personagens e elementos novos.
Além desta modificação, outras mais importantes foram feitas, como veículos antigos sendo substituídos por novos e a retirada dos especiais de cada personagem, que acabavam possibilitando mudanças súbitas no desenrolar de uma partida. Também agora as unidades podem ganhar alguns níveis no meio da batalha, conforme vão vencendo inimigos. Porém isto não é algo muito relevante, pois estes ganhos não são cumulativos de fase em fase e, na real, as unidades em si são bastante descartáveis.
Balanço geral da jogabilidade: nenhuma mudança muito assustadora ou realmente significativa, pois a regra ainda é basicamente fundamentada em cima do ‘pedra, papel e tesoura (o que parece, por enquanto, ter sido recebido bem pelos fãs, que sempre reclamam quando se inova demais!). Aos poucos alguns comentários começam a dizer que este jogo é realmente mais atraente para os usuários multiplayer, contudo não tive a oportunidade de ver pra crer, infelizmente.
Conclusão: nota 10 para a empresa pela trabalho de arte e roteiro. Uma inovação que merece todas as glórias que são cabíveis, realmente um trabalho realizado com maestria, sendo, acima de tudo, ousado de maneira positiva. Infelizmente o jogo em si não ganhou as adições que merecia ganhar, e ainda abafou alguns dos elementos mais peculiares. Assim sendo não cheguei nem na metade, e nem sei se realmente vou jogar até o final, pois, apesar de curioso pela história, não vou gastar as horas e horas e horas que já gastei quando joguei o primeiro, o segundo e o terceiro da série, quando tudo ainda era novidade. Prefiro ler um livro. E eu juro pra vocês que eu ainda leio livros de verdade.

Interessante review, compartilho boa parte das suas opiniões =]
Só um detalhe: o nome da série é Advance Wars (e não Advanced Wars) e o nome do jogo mais recente é “Days of Ruin”. Inclusive, Days of Ruin é o 4º jogo da série, você pulou Advance Wars 2 de Gameboy Advance.
Eu conheci a série recentemente e estou adorando! Mas eu posso até estar enganado mas eu acho que a série começou no NES, ou melhor… no Famicom.
Dá uma sacada em Famicom Wars, acho que é justamente o Advanced Wars 8bits.
Assim como você eu também preferi o Dual Strike ao Days of Ruin, apesar da direção de arte do Days of Ruin ter bem mais identidade e esmero!
Ainda não finalizei nenhum dos 2 por falta de tempo :(
Cheguei aqui por meio de um post no Continue.
O cara falou tão bem que tive que conferir o blog!
E cara… você manda muito bem!!!
Suas impressões são firmes em relação aos detalhes técnicos do game e sua visão de game design também é muito apurada, como a gente vê em reviews de boas revistas de game.
Sua narrativa também é fluída e, creia, isso ajuda na hora em que o cara, totalmente sem compromisso, começa a passar os olhos no seu blog e fica!
Um bom trabalho, sem dúvida!
Parabéns! Live long, Cyber Rats!!!
P.S.: Senti-me lisonjeado em ver o link para meu humilde blog na sua lista lateral!
Ténx!!!
Joguei pouquíssimo AW:DoR, mas deu pra perceber que houveram poucas modificações na estrutura de jogo, o que mais mudou foi realmente a arte.
Num primeiro momento eu não gostei muito dessa nova direção de arte, mas depois até acabei gostando. Não sei, mas acho que o tratamento dado aos menus e gráficos do jogo foi fraco. Os menus são muito simples, assim como as unidades e mapas. A batalha também ficou parecendo que é meio corrida, pelo menos achei que o blur serviu foi pra mascarar um pouco do pouco esmero colocado sobre elas.
As músicas seguem mesmo a direção “mundo pós-catastrófico”, gostei, ficou perfeito. Também não gostei de não terem colocado vários modos presentes no AW:DS como o Survival e ainda por cima tiraram a War Room… Parece que não existe também um Hard Campgain…
Mas no fim das contas o jogo acabou me agradando muito e pretendo comprá-lo no futuro. Ótima análise!
@Samuel Batista: Teoricamente a série “Wars” realmente começou no Famicon/NES, com Famicon Wars, passando pelo Snes e GBC. Acontece que foi no GBA que a série ganhou uma nova identidade, com uma história e modificações significativas na estrutura de jogo, tornando-se mais elaborado. Sendo assim acredito que a série “Advance Wars” seja independente de seus antecessores, mesmo que no Japão o nome ainda continue sendo “Famicon Wars” (até Battalion Wars compartilha este nome no Jp).